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A arte de escrever crônicas

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Já notaram como o brasileiro é um mestre na arte de escrever crônicas? Temos uma habilidade inata de expressar opiniões sobre os mais variados temas, alguns bastante complexos, de uma forma leve e bem-humorada em poucos parágrafos. A crônica é um texto que, por mais interessante que seja, já nasce predestinado a uma breve existência nos meios de comunicação impressos ou digitais, além da ameaça de se tornar precocemente datado, devido à velocidade do noticiário atual, principalmente no campo político, onde novas revelações mudam as expectativas e opiniões polarizadas do grande público em poucos dias ou até mesmo horas.

O que dizer então das colunas de crônicas semanais, onde o autor tem a responsabilidade de capturar a atenção do exigente leitor, rivalizando com a injusta competição da televisão, redes sociais e, mais recentemente, dos famigerados grupos de WhatsAppp que produzem uma enxurrada de notícias sem o menor compromisso com a veracidade, mas que fisgam o inadvertido usuário pe…

Explicação da Eternidade, um poema de José Luís Peixoto

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O escritor português José Luís Peixoto já é um nome conhecido no Brasil devido ao romance "Galveias", vencedor do Prêmio Oceanos 2016 (antigo Portugal Telecom de Literatura) e inspirado na sua terra natal, uma aldeia da região do Alentejo no interior de Portugal com pouco mais de 1000 habitantes, onde a modernidade da vida dos grandes centros urbanos ainda não chegou. Ler aqui a resenha completa do livro no Mundo de K. 

Agora, com o recente lançamento de "A criança em ruínas", primeiro livro de poesias de Peixoto em nosso país, temos a chance de conhecer um pouco mais do seu fascinante trabalho. Selecionei o poema abaixo, "Explicação da Eternidade" no site oficial do autor, vale a leitura para esquecer um pouco do tempo, ou da sua falta.
Explicação da Eternidade

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis,…

Acervo online de Pixinguinha

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Houve um tempo de rara inspiração na música instrumental brasileira em que a união do folclore com a influência clássica europeia propiciaram a criação de um requintado estilo musical que viria a ser conhecido como chorinho. Músicos como Ernesto Nazareth (1863-1934) e Chiquinha Gonzaga (1847-1935), dotados de extremo virtuosismo, criaram no século XIX o movimento que seria consagrado por meio de um dos maiores compositores brasileiros, o instrumentista, arranjador e maestro Alfredo da Rocha Vianna Filho, vulgarmente conhecido como Pixinguinha (1897-1973). O IMS lançou um site com centenas de canções, incluindo 40 músicas inéditas, documentos, depoimentos, discografia para audição online, recortes de críticas, fotografias e cadernos de anotações, somando mais de 9 mil peças — todas elas pertencentes ao acervo que está sob cuidado da instituição desde 2000. O site é comemorativo  dos 120 anos de nascimento de Pixinguinha, completados em abril de 2017, reunindo farta documentação sobre s…

As 20 capas de discos que marcaram época

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No tempo dos discos de vinil, a composição gráfica das capas atuava como um complemento ao conceito musical do álbum e a indústria fonográfica dependia muito da empatia do público com essas capas para impulsionar as vendas em um processo parecido com o que ocorre com os livros no mercado editorial de hoje. A preocupação com o acabamento e a originalidade das capas era tão grande que muitas delas acabaram ficando identificadas como símbolos dos movimentos musicais e culturais de cada época. Uma lista assim é obviamente muito subjetiva e, normalmente, guarda uma relação afetiva com a lembrança que associamos a períodos da nossa vida.

Os antigos discos de vinil sucumbiram à tecnologia do CD e hoje nem mesmo existe a ideia de um álbum completo com determinado conceito artístico. No entanto, assim como os bibliófilos resistem aos livros digitais, preferindo ainda o tradicional livro impresso, também existe um apelo de mercado pelo retorno da antiga tecnologia. A Sony, por exemplo, já anunci…

Visita virtual em 360º à Livraria Lello

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Existem lugares que resistem ao tempo, a livraria Lello e Irmão é um desses ambientes mágicos e continua se impondo à era dos livros digitais e compras online, provando que ainda existe espaço para o livro impresso e a livraria independente tradicional. A boa notícia é que agora podemos visitá-la virtualmente em 360º através deste site. O aplicativo é muito bem projetado, possibilitando ângulos inusitados de toda a construção como mostram as imagens escolhidas para esta postagem. Normalmente, a Lello é relacionada em todas as listas das mais belas livrarias do mundo, como na matéria da revista Time, do jornal Guardian ou do guia de viagens Lonely Planet.


Fundada em 1906 e situada na Rua das Carmelitas, cidade do Porto, estende-se por dois andares. O edifício, projetado por Xavier Esteves, foi construído em estilo neogótico e as enormes estantes iluminadas guardam cerca de 120 mil títulos diferentes em várias línguas. No interior da livraria, o visitante sente-se envolvido por um ambien…

Vencedores do Prêmio Sesc de Literatura 2017

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Uma das melhores (e poucas) oportunidades de divulgação para escritores estreantes, independente da idade, o Prêmio Sesc de Literatura divulgou hoje os vencedores da versão 2017:João Meirelles Filho e José Almeida Juniorforam os selecionados na categoria contos e romance, respectivamente. Este ano, segundo a organização, as inscrições totalizaram 1.793 obras, sendo 980 romances e 813 contos.
Segundo os critérios da premiação, são escolhidos, anualmente um romance e um livro de contos inéditos, de autores ainda não publicados. os livros vencedores serão lançados pela editora Record, com tiragem inicial de 2 mil exemplares. A avaliação ficou por conta de uma comissão especializada formada pelos escritores e críticos literários Andrea del Fuego, Luis Rufatto, Sidney Rocha e Ronaldo Correa de Brito.

Sinopse de "Poraquê e outros contos" de João Meirelles Filho: Com oito contos, a obra representa a sua primeira incursão no campo da ficção depois de trinta e cinco anos como escrito…

A História das Flores

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A "História das Flores" é um curta de animação com duração de pouco mais de três minutos, produzido pelo artista botânico Azuma Makoto e uma equipe composta por Katie ScottJames Paulley. O resultado do projeto é um vídeo que pode ser enquadrado tanto na categoria de ciência quanto arte, exibindo passagens do ciclo de floração das plantas. O trabalho foi pensado originalmente para crianças, especificamente para explicar à própria filha de Azuma Makoto os conceitos de botânica, mas encanta ao público de todas as idades.


Clicando no vídeo abaixo, acessamos uma linda variedade de flores que crescem e preenchem o fundo da tela com aves e insetos. No desenvolvimento da animação é mostrado também o solo com os microorganismos que vivem nas raízes das plantas. A história continua através de todo o restante do ciclo da vida. Garanto que essas imagens serão as mais bonitas que você verá hoje na internet.

David Grossman leva o Man Booker International Prize 2017

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David Grossman é o vencedor do Man Booker International Prize 2017 com o romance "A Horse Walks Into a Bar", traduzido no Brasil como "O inferno dos outros". Grossman divide a posição de protagonismo na literatura israelense contemporânea com Amós Oz, sendo que ambos defendem coincidentemente uma solução pacifista, por meio do reconhecimento de dois Estados, para o conflito entre judeus israelenses e árabes palestinos no Oriente Médio. "O inferno dos outros", seu último lançamento, utiliza uma sofisticada e criativa estrutura narrativa, que se divide entre o presente e o passado, durante um show de stand-up em Netanya, uma pequena cidade do interior de Israel, apresentado pelo humorista decadente Dovale Grinstein (ler aqui resenha completa do Mundo de K).

Este ano ficaram pelo caminho, além de Amós Oz, alguns nomes muito fortes tais como: o albanês Ismail Kadare e o chinês Yan Lianke, ambos sempre lembrados para o Nobel de Literatura e com romances lançad…

Exposição World Press Photo 2017 no Rio de Janeiro

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Últimos dias para visitar a exposição que reúne as fotos premiadas da edição de 2017 do concurso internacional World Press Photo no Rio de Janeiro, somente até domingo próximo, 19 de junho, com entrada franca nas instalações da CAIXA Cultural. A imagem acima, "The Silent Victims of a Forgotten War", da norte-americana Paula Bronstein é uma espécie de Pietà moderna que certamente deixaria Michelangelo envergonhado. Najiba cuida de seu sobrinho Shabir de dois anos, ferido em uma explosão que matou sua irmã, em Kabul, no Afeganistão. A bomba explodiu em uma parte relativamente pacífica de Kabul, enquanto a mãe de Shabir estava caminhando com as crianças para a escola. Infelizmente, o fotojornalismo reflete os conflitos e injustiças sociais do mundo contemporâneo, mas isto não é culpa das fotos ou dos fotógrafos.

Por sinal, injustiças e agressões não são cometidas apenas contra a raça humana, é o que mostra a foto acima do espanhol Francis Pérez, uma tartaruga marinha presa em um…
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